O Centro de Oncologia dos Açores está a aguardar as listagens da população alvo para dar início ao programa de rastreio do Cancro do Colo do Útero nos Açores, que deveria ter arrancado em Janeiro passado. Para já, Flores, Corvo, Graciosa e Santa Maria são as ilhas cujos nomes estão reunidos para a realização da chamada.
Para que as convocatórias, por carta, possam ser realizadas é necessário ter as listagens das utentes dos centros de saúde dos Açores. A explicação é do presidente do Centro de Oncologia dos Açores (COA), Raul Rego, a propósito da primeira fase do rastreio do Cancro do Colo do Útero, designado ROCCA, organizado a nível regional, cuja data de arranque estava prevista inicialmente em Janeiro deste ano.
Apesar de decorrer o mês de Fevereiro, o responsável rejeita falar em atrasos ao revelar que a entrega das primeiras convocatórias será efectuada a partir de hoje, segunda-feira, no máximo.
“Nós já temos as convocatórias para seguir para as ilhas das Flores, Corvo, Graciosa e Santa Maria, e concelho de Nordeste”, assegura o presidente em declarações à “a União”.
Seguir-se-ão naturalmente a entrega das listagens referentes às outras ilhas dos Açores, ainda em processo de actualização nos centros de saúde, sendo que, frisa, esse trabalho faz parte dos procedimentos normais de um rastreio.
“Estamos a conceber à priori para que depois tudo funcione bem. Portanto, o rastreio está em curso, não há atrasos”, considera o presidente do COA, sublinhando que “neste momento só estamos dependentes das listagens”.
A instalação da parte técnica de gestão do programa, contudo, estará pronta provavelmente depois do Carnaval, quer no laboratório, onde serão processadas as análises clínicas, em Ponta Delgada, quer na instituição, possibilitando mesmo assim, adianta, a recolha das amostras.
“O Laboratório está apto para começar a receber [as colheitas], já temos tudo contratualizado”, declara.
Ao todo, o COA estima abranger 75 mil mulheres, entre 25 e 69 anos de idade, de todas as ilhas do arquipélago, e a adesão de mais de 50 por cento, no também conhecido Teste Papanicolau, o diagnóstico precoce de um dos cancros mais constantes na população feminina, a seguir ao da mama, afectando actualmente cerca de 12 por cento das mulheres.
“Os médicos e enfermeiros vão agora programar uma consulta, no âmbito da sua actividade, a um determinado número de mulheres, por semana, para fazer a colheita. Nessa consulta devem preencher uma ficha, com dados pessoais e clínicos, que seguirá para o Laboratório”, explica Raul Rego a prática do rastreio, acrescentando que esse documento visa também a monitorização e avaliação do programa ao fixar-se todas as datas correspondentes a colheitas e a consultas nos hospitais, caso o resultado seja positivo.
O COA Prof. Doutor José Conde, sedeado em Angra do Heroísmo, prevê um gasto de cerca de 200 mil euros por cada um dos três anos de duração do projecto elaborado de acordo com o Plano Regional de Saúde e Programa Europa Contra o Cancro.
Acto preventivo “seguríssimo”
O objectivo do ROCCA é reduzir a mortalidade e a incidência da doença, diz claramente Raul Rego, enaltecendo o acto preventivo que considera “seguríssimo” e “pertinente”.
“É pertinente, ou seja, se for feito correctamente e se houver adesão não há dúvida nenhuma que é um acto preventivo seguríssimo. Uma situação pré-maligna é facilmente curável ou mesmo uma lesão já com alguma malignidade também é curável”, sustenta o presidente do COA.
Igualmente importante, alerta, é o custo humano que envolve essa patologia neoplásia, em fase invasiva. O responsável aponta razões mais do que suficientes para motivar a mobilização de todas as mulheres convocadas.
“Os tratamentos são altamente agressivos e penalizantes, a nível físico e psicológico, e também tem repercussões na fertilidade e na própria saúde”, avança.
A divulgação do Rastreio vai ser feita através de cartazes e panfletos informativos, que serão distribuídos por vários pontos da Região, explicando de uma forma sintética as causas do vírus designado por Papiloma Humano –HPV, normalmente transmitido por via sexual, em relações não protegidas; as vantagens e o modo de participação no programa.
Açores: 45 novos casos
Segundo o Manual do ROCCA, instrumento de trabalho criado especialmente para médicos e enfermeiros integrados no projecto, os Açores, entre os anos 2000 e 2002, registam o diagnóstico de 45 novos casos de cancro de colo do útero e a taxa de incidência, padronizada para a população mundial, é de 10.5 por 100 mil.
Já a nível nacional, o documento indica que foram estimados 956 novos casos, no período homólogo, correspondendo a uma taxa de incidência padronizada de 13.5 por 100 mil. Este valor, continua, é um dos mais elevados de todos os países europeus.
Cerca de 493 mil novos casos e 273 mil mortes são os números indicados no mundo, naquele ano, os quais resultaram numa taxa igualmente de incidência global de 16.2 por 100 mil.
08/02/2010 - 11:02
Fonte: A União (http://www.auniao.com)
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